A vida não cabe no Instagram.
Vivemos tempos em que os olhos estão voltados para telas e os sorrisos muitas vezes são clicados mais do que sentidos. No vai e vem dos stories, nas legendas bem pensadas e nos filtros impecáveis, esquecemos que a vida de verdade pulsa fora das redes.
A vida não cabe no Instagram porque ela é muito maior do que qualquer enquadramento. Ela transborda imperfeições, silêncios, dias nublados e momentos que não se fotografam. Como colocar em um post a emoção de um abraço depois de muito tempo? O cheiro do café que lembra a infância? A dor que não se diz ou a alegria que explode sem motivo?
O Instagram mostra recortes. E recortes não contam histórias inteiras. Vemos sorrisos, viagens, conquistas — e tudo isso é lindo —, mas a vida real acontece também nos bastidores: nas dúvidas, nas falhas, nos recomeços. Na mesa posta sem intenção de postar, na conversa sem likes, no choro no quarto escuro.
Não é sobre demonizar as redes, mas lembrar que elas são vitrine, não essência. A vida verdadeira é o que acontece quando esquecemos de gravar. Ela está nos encontros que não precisam de legenda, nas quedas que não precisam ser justificadas, no tempo que passa sem ser medido.
Que a gente não se perca tentando caber onde não há espaço para ser inteiro. Que possamos viver mais do que registrar, sentir mais do que provar, e lembrar sempre: a vida não cabe no Instagram — e ainda bem.
Escrito por Mell Gonçalves
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