Talvez sobre afogamentos.
É como estar se afogando, mas ninguém vê a água. Você acorda, levanta, faz o café, responde mensagens, sorri de leve. Cumpre o papel. A vida segue. Quem olha de fora, vê alguém funcional. Alguém que “tá indo bem”. Mas só você sabe o esforço que é manter a cabeça fora de algo que ninguém mais vê. É como carregar um oceano dentro do peito. Um mar sem nome, sem mapa, que ninguém sabe que existe. As ondas vêm em horários aleatórios — às vezes no meio da madrugada, às vezes no meio de uma conversa qualquer. Elas batem forte, e você disfarça. Dá um gole d’água, força um sorriso. Ninguém percebe. Porque não tem poça no chão, não tem roupa molhada, não tem sinal visível. É tudo interno. Invisível. Mas tão real quanto o ar que te falta. E esse é o maior paradoxo: você está se afogando... mas sem água, ninguém acredita no afogamento. É um peso que não se explica. Um cansaço que não passa com sono. Um nó na garganta que você aprende a conviver. E você vai ficando bom nisso — em parecer bem. V...